Nos tempos do vinil
Memórias das gravadoras Discos Marcus Pereira, Eldorado e Ideia Livre
Aluízio Falcão
Em “Nos tempos do vinil”, o jornalista e produtor Aluízio Falcão, diretor das gravadoras Discos Marcus Pereira, Eldorado e Ideia Livre entre as décadas de 1970 e 1980, divide com os leitores as histórias de sua atuação no mercado fonográfico.
O ritmo é de uma boa conversa, em que o autor nos revela desde os bastidores das produções de LPs históricos, como o primeiro de Cartola, à convivência com diversos craques da música popular brasileira, como Paulo Vanzolini, Luis Carlos Paraná, Geraldo Filme, Carlinhos Vergueiro, Teca Calazans e Renato Teixeira, entre muitos outros.
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A cultura brasileira, senhoras e senhores, está de novo em alta. No cinema, na literatura e na música, obras de artistas com “o mesmo sangue na veia”, como diria mestre Cartola, têm encontrado um lugar privilegiado ao sol, em meio ao oceano da mesmice e da irrelevância.
É sintomático. Em tempos de obscurantismo, radicalismo e apagamento de memória – inacreditavelmente, tudo de novo –, torna-se urgente a necessidade de se dar voz aos talentos que têm a coragem de documentar e contar nossas histórias, em especial aquelas antes relegadas aos rodapés.
Daí a importância e a beleza destas memórias do jornalista Aluízio Falcão, que versam, agora, sobre seu período como diretor artístico de gravadoras – boa parte dele, inclusive, durante os Anos de Chumbo.
À frente da Discos Marcus Pereira, Eldorado e Ideia Livre, e à margem dos impérios fonográficos multinacionais que ditavam o ouvido do brasileiro, Aluízio e seus companheiros de luta, ignorando todos os riscos, encararam e cumpriram a missão de idealizar e produzir os álbuns de alguns dos mais legítimos representantes de nosso cancioneiro popular.
E se à época eles não venceram todas as barreiras do mercado, acabariam consagrados depois, de forma muito mais triunfante – como símbolos de qualidade musical, excelência técnica e, acima de tudo, resistência.
No vinil ou no download, bem como na vida, o tempo é o senhor da razão.
Celso de Campos Jr.
